"Amei e odiei como toda gente, Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo. E para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo" (F. Pessoa)

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>> Dois Horizontes

16 de janeiro de 2009 | Dhay

Dois horizonte fecham nossa vida:
Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro, —
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.

Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais.
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? — Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? — Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.
Dois horizontes fecham nossa vida.
(Machado de Assis)

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>> Das estrelas!! (no caderninho!)

12 de janeiro de 2009 | Dhay


Meu grande companheiro: o caderninho!
Se ele falasse... mas como ele não fala, eu escaneio!
Clica que aumenta... rsrsrsrs!

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Não sei

10 de janeiro de 2009 | Dhay

" ...Noite alta, madrugada
De você não sei mais nada ... "
(baleiro)
Agoniada...
Não sei que me mata agora. Que me fez parar. De um saber que não faz sentido. Sentido contrário e contrariado. Sons que não tem rimas, mas gritam. Ecoam um vazio tão bem preenchido... molde perfeito de tuas mãos. A lembrança do futuro, quando perguntei seu nome e vc respondeu com o meu. Olhando por cima de meus ombros eu ainda posso te ver. Sem nitidez, a música ainda toca, lembrando que perguntei porquê.. as palavras sufocadas num beijo. Esquecido e sempre lembrado. Da hora agora, que faz presença no que é tão ausente: memórias. Um ato, pacto de silencio. Silencio trincado, exagerado. Não me faça ver através dos olhos do esquecimento e do desmerecimento. Do auge de um sentimento lapidado... A espera constante, a certeza do adeus... era só uma palavra com o poder de machucar.
De mostrar o mundo.. que me separa de você. Eu insisto em acreditar e você apenas acredita...
Procuras um rosto... e eu procuro o seu. Desenhas as formas que eu quero ser molde. Não me toque, não me siga. Não feche as portas e nem apague as luzes. Não me diga o que fazer. Se puder, esqueça-me. Distorça meus desejos, recalcule o que é seguro. Vinde a mim, sem que eu chame. Não perca tempo em entender, apenas me ame. Ou me odeie.
Se possivel, ignore. Esqueça o que é tempo, o que é amor. Mas não me culpe...
O adeus mais dolorido que já ouvi... num sussuro: eu te amo!

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>> O dia que a terra parou e o céu assistiu

4 de janeiro de 2009 | Dhay


E o tempo parou.
Como no título, a Terra também parou e o Céu assistiu.
Não bastava mais conhecer, era preciso crer.
E a corda que já estava fraca. Arrebentou! Assim, no auge.
Era chegada a hora em que os olhos já não viam, a boca já não falava.
O ato pensado agora consumado. Tudo era só tato!
O verde era o tom. Frente a frente com o marrom.
Ardência e, porventura, agora acalmava em caricia, vento leve.
O som era o o do palpitar de um.. dois corações?
Cada um com um compasso... completavam melodia estranha aos sentidos.
Equivocada, idealizada, apaixonada.
Corisco contaminado.
Suspenso, arrebatado.
Eram palavras, gestos impensados...
Sabores nunca experimentados
Cabelos despenteados.
O temor, o medo, anseio... estava tudo ali presente.
Superando ausencias, certezas, convicções.
O plume da ousadia. E só era uma dia, só um dia...
O disparo fatal... tempo imortal.
Tão normal...

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>> Clarescência

| Dhay

Estrelas descoladas
começam brilhando
Colam num céu mal olhado
Pelo mundo vão dançando

Enfeites de uma escuridão
Luminosidade que não se apaga
Descansam na imensidão
Na verdade mal coladas

Apagadas
Num céu nublado
Entusiasmada
Num céu encantado

O que era luz
Agora contenta
Infinito que seduz
Chama satisfeita

Descansa contente
Quando alardeia ardiz
Agora Estrela cadente
Desenhada com um giz
(Clarescencia - Dhay Araújo)

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Ritmo e Poesia da Menina Feia

1 de dezembro de 2008 | Dhay

Ritmo e Poesia da Menina Feia
Nô Stopa
(Wesley Noog/Nô Stopa
)

hoje eu quero mais do que de costume
me refazer no perfume

despetalar meu ciúme, me distrair
porque sou a mistura de caos e jardim
porque sou amena, porque sou ruim

porque não consigo me olhar no espelho
eu sou espectro e fico vermelho
isso eu sei, é errado, isso é pecado
não permita que eu seja castigado
me perdoa meus apegos e minha falta de auto-estima
eu sou desprotegida porque sou menina
ninguém pode me ver... chorar

vou chorar escondida, quero a máscara mais bonita
quero ganhar a fita, meu diário que o diga
prefiro uma amiga pra me dar os braços,
pra mostrar os passos, pra me dar ardis

quero um sapato alto
e quero pelo menos um espelho mais feliz

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27 de novembro de 2008 | Dhay


Zeca Baleiro
Composição: (Rita Ribeiro e Zeca Baleiro)

eu tô queimando feito paia na fogueira
tampa véia de chaleira
lamparina candeeira
lareiraraiá, rojão
meu santo antônio
não me arranje matrimônio
meu são tiago
o amor só faz estrago
meu são genaro
só morrendo que eu paro
meu são joão
se amor não fosse bão
virgem maria
quem queria quem queria
meu santo olavo
minha cova eu mesmo cavo
meu são clemente
me dê amor que não mente
meu santo osório
corro léguas de cartório
meu são longuinho
o mundo sem um carinho
meu pai eterno
era um inferno era um inferno

*
uahuahauhahahua
Esse Zeca Baleiro viu?!
Só ele, só ele!
Amoooo Baleiro

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Sentindo, fazendo sentido!

13 de setembro de 2008 | Dhay

Muito vejo, leio ou escuto à despeito de que as melhores coisas da vida não precisam fazer sentido. E se assim o fizerem, ou descobrirem-no, perderiam seu encanto.

"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada" - Clarice Linspector

Já eu, eu mesma: digo que para eu amar tem que haver sentido.
Amo e pronto!
Isso faz sentido!

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Dois

12 de agosto de 2008 | Dhay

Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“Paralelos que se encontram no infinito...”
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.
(Pablo Neruda
)

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Musicalização

16 de abril de 2008 | Dhay

o dia resplandece
em amor despeja
o que nunca esquece
vale quanto anseia

olhos espelham
o ainda encontrar
mãos desejam
simples tocar

talvez silencie
o que tanto gritei
e um dia respire
o ar que esperei

daquela voz,
um quase sussuro
alarde feroz
acende o escuro

palavras e canto
pandeiro ou violão
despeja encanto
verdade e piração

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